A Implantação de Universidades Corporativas

1. APRESENTAÇÃO

Universidades corporativas são unidades de educação e treinamento das empresas que disponibilizam múltiplas alternativas de aprendizagem, alinhadas à estratégia organizacional, para promover o desenvolvimento não só de seus funcionários, mas também de outros elementos da cadeia de valor da empresa, como clientes, fornecedores e parceiros.

Surgiram nas empresas por causa da necessidade de aprendizagem permanente e de algumas necessidades não atendidas plenamente pelos conteúdos de ensino pós-secundário.
Quando é vantajoso optar pela implantação de uma universidade corporativa? Quando existe um forte comprometimento corporativo no que diz respeito ao desenvolvimento humano e tecnológico; quando a empresa tem como filosofia agregar valor continuamente sem perder sua essência e quando se posiciona no mercado de maneira ética, criativa, visionária e competitiva.

A importância de uma universidade corporativa está baseada nos seguintes pontos: fortalecimento e direcionamento para os valores e cultura desejados pela empresa; criação de talentos; aumento do valor da empresa para os seus clientes e acionistas pelo aumento da capacidade das pessoas; desenvolver a capacidade de auto-gerenciamento das pessoas promovendo, por meio da universidade corporativa, o alinhamento dos objetivos dos funcionários com os objetivos da empresa.
O insucesso da implantação de uma universidade corporativa está relacionado a processos amadores e pontuais, onde não há comprometimento da diretoria da organização por não ver a iniciativa como um grande investimento estratégico. Sem uma estratégia sólida, diz ela, a estrutura não se mantém.

2. UNIVERSIDADES CORPORATIVAS

Criadas por grandes empresas americanas no final dos anos 80 com o objetivo de complementar a formação acadêmica de seus profissionais, já que as escolas tradicionais não acompanhavam o ritmo das mudanças, as universidades corporativas vêm ganhando força e maior número de adeptos. Essas universidades possuem uma estrutura mínima com um espaço físico que conta com sala de aula, telões, computadores, retroprojetores, entre outros, e recrutam instrutores dentro da própria organização ou terceiros, que podem ser consultorias ou os próprios fornecedores.
Mas no quê a universidade corporativa difere do tradicional e convencional departamento de treinamento e desenvolvimento? Este último, geralmente, conta com uma gama maior de programas abertos, atingindo um grande público e nem sempre voltados para a solução dos problemas do negócio ao qual a empresa está voltada. Já as universidades corporativas focam seus objetivos para determinados departamentos que necessitam, por uma razão ou outra, de um foco mais estratégico, voltado para o crescimento da empresa, do negócio.

2.1 – Por que Implantar?

A universidade corporativa tem a possibilidade de se tornar um eficaz instrumento de apoio ao conhecimento, agregar valor às estratégias da empresa, disseminar valores e propósitos, aumentar a qualificação humana e profissional, promover o crescimento do capital intelectual dos colaboradores como um diferencial competitivo e orientar programas internos rumo à melhoria de resultados.
Na universidade os alunos são treinados através de workshops, programas de imersão, cursos e palestras fazem parte das ferramentas utilizadas no treinamento oferecido ao colaborador, que conta com programas de desenvolvimento, projetos de endomarketing, projetos sociais, de relacionamento com parceiros e clientes, formação técnico-comportamental, entre outros.

2.2 – A universidade é dividida em três núcleos:

1. Treinamento e desenvolvimento, promovendo ações voltadas para qualificação dos colaboradores internos e externos, com foco em formação, desenvolvimento, motivação, marketing de relacionamento e contribuição social;

2. Pesquisa e qualidade, visando a avaliação da satisfação do cliente interno e externo, para melhoria contínua dos serviços oferecidos;

3. Disseminação de informações em um ambiente de aprendizado on-line. O treinamento a distância tem sido muito útil quando se pensa em treinamento técnico, não comportamental, que, nesse caso, necessita da relação olho no olho para obter resultados. Para avaliar o nível de conhecimento do funcionário aplicamos pré e pós-testes, para que saibamos exatamente de que tipo de treinamento necessita nosso aluno.

2.3 – Reduzindo Custos

Dados de empresas americanas demonstram que as organizações que possuem uma universidade corporativa gastam cerca de 5% a 10% da folha de pagamento mensal em manutenção. Em compensação, pesquisas demonstram também que houve uma redução de custos significativa com a criação das universidades, uma vez que o funcionário não precisa mais se ausentar da empresa para ser treinado em uma nova ferramenta ou estilo de gestão mais estratégico.
Uma das alternativas para empresas de menor porte é a criação de uma espécie de consórcio, reunindo quatro ou cinco empresas. “A universidade corporativa passou a ser uma necessidade para as empresas que investem no desenvolvimento de seus funcionários e estão preocupadas em vincular a educação à estratégia de seus negócios.

3. REGRAS PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA UNIVERSIDADE CORPORATIVA

1. Unidade de negócio – antes e acima de tudo, uma universidade corporativa é um centro de resultados que vai sensibilizar o investidor pelo aumento do valor agregado do patrimônio líquido da empresa.

2. Mensuração de resultados – os produtos e serviços fornecidos pela UC devem ser mensurados tanto no âmbito dos processos como dos resultados e, no limite, deve haver planejamento e controle do impacto de suas atividades sobre os fatores críticos de sucesso e principais indicadores de resultados da organização.

3. Compartilhamento – os colaboradores de uma organização devem ser estimulados e motivados a dividir entre si o know-how adquirido criando a rede interna de conhecimento com ênfase na comunicação permanente das best practices.

4. Consciência financeira – os investimentos físicos deverão ser criteriosamente analisados em consonância com o porte da empresa e suas necessidades específicas. Não se deve jamais confundir a universidade corporativa com a necessidade da posse física de um campus universitário e uma cultura corporativa; não se pode esquecer que uma UC se constitui em um fortíssimo pólo de irradiação e consolidação da cultura empresarial, motivo pelo qual direta e indiretamente deverão fazer parte do seu currículo as atividades ligadas aos princípios, crenças e valores da organização, que funcionem como forte estímulo à consolidação da motivação dos seus colaboradores.

5. Heterodoxia – para atingir a excelência uma UC jamais poderá se restringir ao modelo “sala de aula-professor-aluno”. Seu objetivo maior é expandir o cérebro dos seres humanos através dos mais diferentes sistemas de aprendizado: viagens, entrevistas, visitas, análise de case studies, avaliação de empresas, funções benchmarking, leituras complementares etc. Sua função é a criação de uma mentalidade contínua de aprendizado voltada para o desenvolvimento da organização. Jamais meramente contabilizar horas/aulas realizadas.

6. Personalização – no ideal, para todo quadro de colaboradores; no mínimo, para alguns estratos selecionados. O planejamento e desenvolvimento de cada indivíduo deverá ser criado e monitorado de modo que sejam construídas as referências dinâmicas indispensáveis neste ambiente de ambigüidade e incerteza. Uma UC deve ter como objetivo precípuo a estruturação da incerteza do futuro dos colaboradores de sua organização.

7. Mútuo comprometimento – o planejamento e monitoramento da evolução de cada colaborador não poderá jamais cair na limitação do paternalismo unilateral. Caminhos individuais serão traçados para cada pessoa, assessorados e/ou apoiados pela central de inteligência na UC com uma clara visão de direitos, responsabilidades e até idéias.

8. Responsabilidade social – num ambiente de mudanças não se pode garantir a segurança (termo que merece uma análise mais profunda) do emprego vitalício. A qualquer momento, uma mudança

9. do mercado, das tecnologias, da gestão ou da própria concorrência podem obrigar à descontinuidade da relação entre um colaborador e a empresa. Por isto mesmo, qualquer UC que queira efetivamente cumprir sua missão deverá desenvolver a capacitação empreendedora em seus clientes, de modo a prepará-los para a vida como um exercício de melhoria contínua – jamais somente na visão mesquinha de um mero objetivo de maximizar lucros a curto prazo de sua empresa.

10. Tecnologia – a logística do ensino a distância propiciado pelo avanço da telemática deverá ser ferramenta permanente de gestão de modo a permitir melhor utilização do tempo.

11. Homogeneização – uma das funções primordiais da UC consiste no preenchimento das lacunas deixadas pelo sistema tradicional de ensino; por este motivo devem fazer parte integrante de seu escopo de atuação programas que criem um “conteúdo de homogeneização de conhecimento e inteligência”, para cada um dos estratos e/ou funções das organizações.

12. Pluralismo – levando em consideração que cada vez mais as empresas trabalharão em networks e em cadeias de operação, a UC deve ser um campo aberto a todos os “satélites de negócios” da empresa (clientes, fornecedores, terceirizados, parceiros etc.) sendo evidentemente estabelecidos critérios de justiça financeira da cobertura dos custos envolvidos. No limite, uma UC poderá pertencer à cadeira de operações e negócios de sua organização.

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